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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Jardim envelhecido'

Por Mary Arantes, 21/05/2020 às 16:00
atualizado em: 21/05/2020 às 20:43

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Foto: Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
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Certa vez me hospedei no hotel Solar da Ponte em Tiradentes, um hotel do circuito Roteiro do Charme, pra lá de especial.

Os donos, um casal de europeus, prezavam a simplicidade e rusticidade do local, com uma pitada de sofisticação.

Lembro-me de ter às 17 horas, o chá da tarde, assim como lembro de uma cena de café da manhã, onde um beija-flor sobrevoava o recinto.

A única coisa que fiquei anos sem entender é porque John Parsons, o proprietário, não gostava que interferissem no jardim, achava o jardim mais bonito, in natura, ou seja, natural, um jardim como enxergamos na mata, como se cada planta escolhesse ficar, onde bem quisesse viver.

Sei que isso ficou marcado em mim, pois achei na época, o jardim meio bagunçado, precisando de uma boa poda.

Eis que envelheço e começo a reparar no jardim da minha casa, em como ele era, quando foi feito e como está agora.

E o que na época não gostava na pousada do John, agora amadurecida, percebo o quanto o jardim natural e envelhecido, é muito mais bonito do que o jardim planejado, passado à limpo, quase asséptico!

Foi preciso envelhecer junto com ele para perceber certas sutilizas.

Debaixo da minha casa tem um jardim que toma pouco sol, ali nasceram inúmeras avencas que nunca plantei, sem falar das samambaias que apareceram sem ser convidadas.

Uma muda de burrinho plantada ali, alastrou por todo espaço, fora os beijinhos, que nascem onde bem querem.

Ficar olhando praquele amontoado de plantas, e a gratuidade com que ali vivem, me emociona.

Claro que os pássaros contribuem bastante para proliferação dessas sementes.

E onde menos espero, brotam pés de tomate misturados a canteiro de flores.

Antigamente, jamais daria permissão pra que eles vivessem ali, num lugar onde não estava escrito, HORTA! Agora?

Sementes de abóbora escolhem viver com margaridas e elas que se quiserem é que reclamem na administração, pois comecei a entender tardiamente que na natureza elas se entendem.
E se tem uma planta que gosta de sol, debaixo de uma árvore que da muita sombra, ela vai ter que caçar outro território.

Como nós humanos, vamos nos adequando a situações e a espaços que nos são permitidos viver, com determinados limites.

Claro que se sou uma flor pequena e vem uma Costela de Adão querer tomar todo meu sol, vou ter que espernear pra rever meu espaço ou dar muita flor para aparecer mais que ela.

Tem as plantas que trepam umas nas outras e saem por aí, roubando terra alheia, como nós humanos.

Na mata verdadeira, formigas, folhas, galhos secos, musgos, plantas minúsculas e maiúsculas, frutos que caem dos pés, lagartas, fungos e pulgões, fazem parte do mesmo sistema e são necessários para que tudo esteja em equilíbrio.

E é exatamente isso que falta a nós humanos, equilíbrio e  harmonia para vivermos no mesmo espaço.

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