Ursula Nogueira

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Clássico sem fim

11/11/2019 às 06:14

GIAZI CAVALCANTE/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Mais uma vez o clássico não termina com o apito final. Os desdobramentos do jogo entre Cruzeiro e Atlético, deste ultimo domingo (10), pelo Brasileirão continuarão sendo falados por dias após a partida. E o pior que é por um motivo que não deveria ser. 

O que aconteceu dentro das quatro linhas não teve muita graça pelo futebol morno, sem grandes jogadas de efeito ou ensaiadas, sem destaque para nenhum jogador. Não temos o que tirar e comentar de uma partida assistida por mais de 43 mil pessoas no Mineirão. Não teve um gol pra reprisar nos veículos de comunicação e nada que pudesse fazer os olhos saltarem. Foi abaixo do normal. Infelizmente, só temos a violência no estádio e arredores para repercutirmos. 

Antes de o jogo começar já havia notícia de "torcedores" presos, violências distribuídas nos pontos de ônibus, metrôs e nas cidades vizinhas a Belo Horizonte. E o pior estava por vir. O pós-jogo, dentro do Mineirão, se tornou um show de horrores. É vergonhoso assistir à praça de guerra que se tornou o palco de grandes multidões. 

Sempre pedimos paz para que as famílias voltem a frequentar os estádios de futebol e que ele seja um espaço de espetáculo do entretenimento. Fazemos campanhas de conscientização, com torcedores, com jogadores, levamos às redes sociais por meio das hashtags, e nada adianta.

Não tem efetivo policial ou de segurança que pudesse conter o ato de vandalismo dos pseudo-torcedores que começaram a arremessar objetos e pulavam as divisões físicas de grades.

Não tem nenhum número que podemos cogitar para tal defesa. Não estou dizendo que a eficiência dos que estavam lá é a correta. Só quero reafirmar que nada combate a falta de educação, de civilidade... 

Se torcedores estavam se voltando contra os "colegas" do mesmo time quem dirá contra o adversário. A campanha não pode parar. Não tem como desistir, mas é preciso repensar como punir essas pessoas que atrapalham o espetáculo. Reconhecimento facial, jurisdição efetiva, punição severa… tecnologias aparecem a cada momento, será que nada podemos tirar delas para o cuidado com o outro? 

O futebol já não está sendo jogado como deveria dentro de campo há tempos, e fora a situação não é diferente.

“Olha a sua cor”

É chover no molhado falar o quão absurda é a atitude da pessoa que se diz torcedor do Atlético contra o segurança do estádio. Lembrando também o recente episódio com os  jogadores Tison e Dentinho, na Ucrânia. O futebol, um dos esportes mais populares do mundo, deixou de ser lazer, prazer, entretenimento, lugar de família.

É estarrecedor e revoltante. Alguma coisa precisa sim ser feita. Os casos são cada vez mais recorrentes. Dói na alma. Causa impotência. 

Algumas providências estão sendo tomadas pelo Tribunal Superior Tribunal de Justiça Desportiva e pelas Polícias Civil e Militar de Minas,  tanto na questão da violência no estádio quando no caso de racismo. É vergonhoso saber que existe a possibilidade de interdição do Mineirão pelas ações violentas de um clássico. 

Racismo não. Violência não.  Mais futebol e mais torcedores de verdade.

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