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Sem camisa 10

Não espero que todo camisa 10 seja o Pelé, mas não posso, aliás, podemos, aceitar que seja um Cazares ou Thiago Neves – versão 2019.

08/10/2019 às 03:04

Amigos, a modernidade chega para todos, e o futebol, o principal esporte do mundo, não passaria ileso a isso. A questão é que algumas coisas são intrínsecas à modalidade, e não podemos deixá-las desaparecerem. Falo da bola, por exemplo, mas também do peso da camisa 10.

É importante lembrarmos que, por Minas Gerais, já passaram camisas 10 como Negrini, Marcelo Oliveira, Ronaldinho, Palhinha, Jairzinho, Alex, Dirceu Lopes... mas é importante lembrar também que, independentemente do currículo campeão que um camisa 10 tem, ele é um capitão com ou sem faixa, que precisa assumir em campo a responsabilidade de conduzir o time.

Entendo que o esquema tático muda, que o camisa 10 às vezes não é o armador, e que o principal nome do time pode vestir a 7, a 30, 39... mas venhamos e convenhamos, todos nós sabemos perfeitamente quem é o cara que, independentemente do número da camisa, é o dito 10; bem como sabemos que quem veste esta numeração tem obrigações além da bola em campo.

Há de se tomar responsabilidades técnicas, táticas, psicológicas, hierárquicas, de liderança, de apoio, e muito mais. Há de se doar à exaustão pelo clube, pela camisa, pelos companheiros, pela torcida e até mesmo por seu próprio currículo – cada momento soma-se aos demais para construir sua história. Há de se lembrar, em suma, que o camisa 10 é a referência do time.

Não espero que todo camisa 10 seja o Pelé, mas não posso, aliás, podemos, aceitar que seja um Cazares ou Thiago Neves – versão 2019. O primeiro é uma decepção dentro e fora de campo. Faz da diretoria uma amadora e do torcedor um trouxa em confiar em suas atuações. Faz o técnico, aliás, colocá-lo no banco em um jogo importante como o desse domingo, diante do Palmeiras, fora de casa.

Já o segundo, amigos, está uma posição atrás do Cruzeiro a cada rodada, adiantando o que o clube vai sofrer se continuar como está. Thiago Neves não corre, não chuta forte para o gol, se é que chuta, não conversa com os companheiros em campo buscando a organização, seja para chamar o time para ‘cima’ ou pedir o recuo. Em vez de proteger e chamar a responsabilidade, está sendo protegido e não dando os por quês de suas atitudes.

O Camisa 10 é aquele que incendeia um jogo que está empatado dentro de casa, e o que segura a bola para não sofrer o empate fora de casa. O Camisa 10 é aquele que protege o time do extracampo, não o contrário ou muito menos o que dá notícia fora de campo.

“Quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas então, intimidados, acovardados, batidos.” Não era do camisa 10 que Nelson Rodrigues dizia, mas poderia ser. Então, o convoco neste momento para me ajudar nessa máxima que está se perdendo: “Molhar a camisa até a última gota de suor” é obrigação de quem carrega nas costas o número 10. 

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