Anônimo

Coluna do Anônimo

Veja todas as colunas

Esportes

(a falta de) poder de escolha  

13/11/2019 às 02:53

Se tivesse que escolher entre ouvir uma opinião contrária a sua por horas ou perder dinheiro, qual escolheria? 

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Winnipeg, no Canadá, e de Illinois, nos EUA, decidiram pagar - literalmente - pessoas para escutarem opiniões ideologicamente opostas às delas. Os participantes preferiram jogar a grana fora. Dinheiro algum comprou a escolha de não ouvir o outro lado. Esse fato pode até ser explicado pela Neurociência, que mostra o quanto gostamos mais de ouvir histórias próximas ou semelhantes às nossas do que as contrárias.

A pergunta que fica é: ainda que a distância, estamos respeitando o direito do outro de pensar diferente? Não. Chegamos ao ponto de termos cientificamente comprovada a nossa irracionalidade cultivada frente às adversidades. E mais do que nunca precisamos discutir os pontos que por séculos evitamos: futebol, política e religião.

Em um país democrático, você tem o direito de torcer pelo time que quiser, votar na ideologia que te representar, acreditar na fé que te inspirar. Em outros países isso não é possível. Aqui, a prerrogativa não tem funcionado: estamos insatisfeitos não com as nossas opções, mas com a escolha ALHEIA. I-n-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l, amigos!

No futebol, a intolerância está escancarada e, ao que parece, impune. O “bicha” no tiro de meta, o “vai tomar no cu” na decisão do juiz, o “vai morrer” no pênalti perdido, o “olha a sua cor” na orientação do segurança… Ofensas nas arquibancadas, na beira do gramado, no escanteio. Não há cor errada, não há tamanho certo, não há sexo escolhido. E além, muito além dos gritos de guerra e ameaças, o fato consumado nas brigas de torcidas. 

Brigamos e matamos por causa da escolha do outro. Não! Mil vezes NÃO! Chega de aumentar o número de policiais em jogos. De reduzir o número de torcedores porque é preciso deixar arquibancadas vazias para as torcidas adversárias não ficarem lado a lado. Chega de spray de pimenta no rosto de criança e cacetete em perna de idoso. Chega de cadeira voar e chover cerveja. Chega de torcida única! 

Amigos, o futebol é um dos poucos artigos igualitários que ainda possuímos. De agregar, lado a lado. De colocar milhares em uma mesma sintonia. Como podemos perder isso? Somos plurais! Aceite, porque isso, sim, não tem outra opção. Respeite, porque isso é constitucional. Antes de impor algo ao outro, lembre-se da máxima de Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”, e ela não existe. 

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link